Mídia exterior é a jogada publicitária de grandes capitais

Publicado em 15 de agosto de 2018 às 14:19

Mídia exterior, externa ou out of home são os nomes dados a um dos mais investidos meios de divulgação no Brasil, principalmente em capitais como Salvador. Em meio a avalanche das novas mídias, por qual motivo continuam crescendo? Essa e muitas outras questões foram respondidas na live promovida pela Associação Baiana do Mercado Publicitário – ABMP, ontem (14), pela gerente de Marketing da Unifacs, Dirlene Barros, o diretor da Central do Carnaval, Joaquim Nery e o diretor de mídia e performance do Grupo Engenho, Eduardo Fonseca, convidados da edição apresentada por Léo Sampaio e Matheus Carvalho.

É comum pensar em outdoors como o foco da mídia exterior, principalmente na capital baiana, onde o veículo se faz mais presente. Mas Nery resgatou um pouco da história do início do carnaval na cidade para mostrar que há mais possibilidades. Ele conta que antigamente faziam-se as divulgações das grandes festas em muros de casas bem localizadas e por meio de faixas colocadas entre árvores, porém não ficavam tão agradáveis. Foi por volta do final dos anos 70 que o bloco carnavalesco Pinel fez o uso de outdoors, encantando não só os foliões como os concorrentes que logo  aderiram. No entanto, ele lembra que o bloco Camaleão teve uma boa experiência com uso de adesivos para carro, “as pessoas gostavam de usar”.

Dirlene destacou a evolução dos equipamentos de mídia exterior, de simples papéis colados em paredes de casas aos outdoors, busdoors, painéis eletrônicos, letreiros luminosos, mobiliário urbano, e muito mais. A gerente atenta também para o fato de que nem toda cidade brasileira investe tanto em mídia exterior, especialmente em outdoor, sendo esta uma característica cultural da capital baiana. “A cidade veio trabalhando o ordenamento disso, então a gente não tem aquele amontoado de placa e de peças pela rua. Existe uma legislação que ordena isso e também é cumprida, o que faz com que a gente não precise chegar aqui ao que aconteceu em São Paulo, que foi a Lei Cidade Limpa”, explica.

Segundo Dirlene, essas mensagens devem  ser absorvidas rapidamente, sendo mais diretas e objetivas. Sendo assim, o excesso pode contribuir para uma desordem e poluição visual, prejudicando a visualização da peça pelo passante. Mas não só a organização é responsável pela boa recepção de outdoors e demais mídias externas na capital, os especialistas apontaram o aspecto lúdico e criativo como ponto chave. “O lúdico fez criar no outdoor peças bonitas”, disse o diretor da Central.

Tendências – O investimento em mídias digitais tornou-se imprescindível para qualquer empreendimento. Embora a entrada dessas novas mídias tenha impactado em outros meios de comunicação, não interferiu na atenção das out of home. Eduardo atribui este fato a boa adaptação das empresas responsáveis, que estão modernizando seus equipamentos. Para ele, o “pulo do gato” está em saber aplicar camadas digitais no outros meios.

“Em Salvador, nós já temos empresas de outdoor que nos passam a informação de perfil da placa. Antigamente, a gente trabalhava com um número estimado da Secretaria de Transporte. Hoje não, com o celular com o Bluetooth ligado existe um aparelho em algumas placas que lê quem é aquela pessoa, sabe o perfil, sabe a frequência que ele passa, sabe o que ela consome, qual o interesse dela. Esse local eu não vou programar mais porque é uma grande avenida que tem um grande fluxo, vou programar porque por ela passa a audiência que me interessa”, exemplificou o diretor da Engenho.

Para além da ação informativa, os especialistas, apaixonados, afirmam que se bem planejada as peças ajudam a embelezar a cidade. De exemplo, Fonseca citou grandes cidades estrangeiras que usam e abusam das mídias externas, como Las Vegas, Tóquio, Hong Kong e Nova Iorque. Para conferir todos os momentos deste encontro basta acessar a página da ABMP no Facebook, onde estão também outras lives disponíveis para visualização.